Leilão 109 Colecção Conde da Póvoa - Quinta da Serra

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Infante D. Francisco de Bragança, Infante de Portugal, 7º duque de Beja e Grão-Prior da Ordem de Malta em Portugal

Giorgio Domenico Duprà (1689-1770)


Estimativa

10.000 - 15.000


Sessão 1

28 Setembro 2021


Descrição

Óleo sobre tela
Ca. 1730

125x93 cm

Proveniência: Etiqueta no verso com a inscrição: "Quadro que veio da quinta do Calhariz. Escolhido pª ficár no palácio de Lisbôa" Etiqueta de inventário nº 325 da colecção do Duque de Palmela

Exposições: “JOANNI V MAGNIFICO - A Pintura em Portugal ao tempo de D. João V”, Lisboa, Portugal, 1994


Categoria

Pintura


GIORGIO DOMENICO DUPRÀ

Oriundo do círculo de artistas que rodeava o Duque de Saboia Vítor Amadeo II (1666-1730), Domenico Duprà nasceu no ano de 1689 na cidade de Turim, era filho de Giuseppe Duprà e de Spirita Crossatti e o irmão mais velho do também pintor Giuseppe Duprà (1703-1784). No ano de 1709, ao atingir a idade de vinte anos, transferiu-se para a cidade de Roma, com uma certidão autentificada pelo arcebispo D. Miguel António Vibo, o que testemunha a sua convivência, desde muito cedo, com o meio português. Nessa cidade foi discípulo do pintor italiano Francesco Trevisani (1656-1746) – autor da grande tela do altarmor da Basílica do Convento de Mafra – e foi nessa oficina que conheceu Francisco Vieira Lusitano (1699-1783) que estava em Roma como pensionista do Rei D. João V (1689-1750). No ano de 1719 alcança o título de académico de S. Lucas, o que assegurou a notoriedade de que desfrutava na sociedade artística daquela cidade. É nesse mesmo ano que chega a Lisboa, no seguimento do convite feito pelo 1º Marquês da Fonte, D. Rodrigo de Sá Almeida e Meneses (1676-1733) em nome do Rei D. João V. Chega acompanhado pelo arquitecto Filippo Juvarra (1688-1736) e pelo pintor Vieira Lusitano, inscrevendo-se la 22 de outubro na Irmandade de S. Lucas. Pelos registos na Irmandade, ficamos a saber que morava nas varandas do Terreiro do Paço, o que significa ter sido nomeado por D. João V como pintor Régio. A carreira de Duprà em Portugal foi quase exclusivamente dedicada à retratística de corte. No ano de 1719 executou os retratos dos quatro filhos do Rei e o retrato do Monarca com o fundo do Cabo da Batalha de Matapão (hoje no acervo do Museu Nacional de Arte Antiga). No ano de 1720 deu início ao ciclo de celebração dos Duques de Bragança, no teto da sala dos Tudescos do Paço Ducal de Vila Viçosa. Estas pinturas, cujo formato se adapta às divisórias do tecto, foram realizadas a partir de modelos preexistentes, com três retratos ao natural (o de D. João V, o da infanta D. Maria Bárbara e o do Príncipe D. José). Seguiu-se, cinco anos depois, o retrato de D. João V para a biblioteca da universidade de Coimbra e também os dos filhos do Rei, a Infanta D. Maria Bárbara (1711-1758) e de D. José Príncipe do Brasil (1714-1777), que se encontram no museu do Prado e no Palácio do Oriente, em função das negociações com o rei de Espanha para os casamentos com os infantes espanhóis. No ano de 1727 realiza o retrato do 1º Duque de Cadaval.
Na obra de Duprà encontramos a influência do pintor Trevisani unida ao gosto francês à maneira de pintores como Hyacinthe Rignaud (1659- 1743) e de Jean-Marc Nattier (1685-1766), o que abre uma nova fase no retrato oficial da corte portuguesa. Para além de retratista, dedicou-se à elaboração de gravuras e de quadros religiosos. Sobre esta última temática evidencia-se um Cristo abençoado, assinado e datado (Dos. Duprá Pintor de Retratos de S. M. Portº o fez em Roma 1733) que estava na Galeria de Pintura do Rei D. Luís no Palácio da Ajuda e que se perdeu aquando do incêndio de Setembro de 1974. No ano de 1731, as relações diplomáticas com a Santa Sé são restauradas, e ao fim de onze anos a trabalhar em Portugal, o pintor regressou a Roma e executou o retrato do novo cardeal Vicenzo Bichi (conhecido pela gravura de Rocco Pozzi) e mais um retrato do Rei D. João V gravado por Girolamo Rossi. É neste período (em que se encontra lançado no contexto da pintura romana) que inicia relações com a casa dos Stuart exilados. A partir de então as suas encomendas para Portugal passam a estar inseridas num panorama de encomendas internacionais e para além do Cristo já mencionado, realizou o retrato do padre Évora e um auto-retrato, também adquirido por D. João V. Nos anos seguintes não se verificam novas encomendas portuguesas, mas é preciso destacar que da sua ampla produção, nem sempre datável com segurança, e por vezes atribuída ao seu irmão é frequentemente identificada por reproduções gravadas. Em 1750 parte de Roma para Turim onde é nomeado retratista da corte do Rei Carlos Emanuel III da Sardenha (1701-1773), e acaba por realizar uma serie de pinturas da casa real de Saboia, dos quais se destaca os retratos do Duques de Saboia, Vítor Amadeu III (1726-1796) e da sua mulher D. Maria Antonieta de Espanha (1729-1785). O pintor morreu na cidade de Turim no ano e 1770.

A iconografia do Infante D. Francisco, Duque de Beja (1691-1742)

O irmão do Rei D. João V requere de um estudo aprofundado em torno da sua iconografia. Dele são poucos os retratos que se conhecem. Apenas um gravado e um outro identificado pelo professor Ayres de Carvalho, que se encontra no Palácio do Oriente, da autoria de Jean Ranc (1674-1735), realizado por ocasião dos preparativos para o episódio da troca das princesas do rio Caia. Foi através da análise comparativa deste quadro, que agora trazemos a leilão, com esse de Ranc, realizada para a exposição “JOANNI V MAGNIFICO: A pintura em Portugal ao tempo de D. João V” que se percebeu que as características fisionómicas do infante são as mesmas (o formato oval da cara, a mesma boca e os olhos). O aspecto bonacheirão, como foi caracterizado no respetivo catálogo, que transparece nestes retratos de D. Francisco esconde a verdadeira personalidade do ambicioso Duque de Beja. Graças ao criterioso trabalho que Ayres de Carvalho dedicou ao pintor Domenico Duprà, aquando da exposição já mencionada, foi sugerida a hipótese de estarmos perante mais um retrato que o pintor concebeu para a corte portuguesa. E é com um retrato pintado por Duprà, quando já não se encontrava no nosso país, que são estabelecidos elos com o que agora se apresenta a leilão. Pelo ano de 1745, quando o pintor estava em Roma a trabalhar para a exilada Casa dos Stuart, retratou a corpo inteiro o pretendente à coroa de Inglaterra. Infelizmente não se conhece o paradeiro dessa pintura, mas sobrevive a gravura aberta por N.S.B. de Polly. Destaca-se as semelhanças a nível da composição e da pose dos retratados. A forma como a mão esquerda das personagens se encosta sobre a cintura, fechando-se e deixando somente o dedo indicador salientar-se, bem como a volumetria dos panejamentos e mesmo toda a colocação do corpo face ao espectador, são rigorosamente iguais nos dois retratos. Na hipótese destes pontos em comum não existirem, poderíamos continuar a atribuir este retrato a Domenico Duprà devido aos fortes efeitos de luminosidade que fazem abrir a sua paleta de cor e frisam o realismo vivo que parece querer superar a simples visualidade no detalhe de alguns aspectos fisionómicos que o levavam muitas vezes a representar a sombra escura dos barbeados rostos masculinos. Característica que no século XVIII não era muito apreciada, mas da qual o pintor não abdicava por se achar marcadamente ligado a um compromisso de fidelidade com o real.

TIAGO FRANCO RODRIGUES

Exposições: “JOANNI V MAGNIFICO - A Pintura em Portugal ao tempo de D. João V”, Lisboa, Portugal, 1994.

Proveniência: Etiqueta no verso com a inscrição: "Quadro que veio da quinta do Calhariz. Escolhido pª ficár no palácio de Lisbôa" Etiqueta de inventário nº 325 da colecção do Duque de Palmela Bibliografia/Literature: A. de Carvalho – A galeria de Pintura da Ajuda e as Galerias do Século XIX, Lisboa, 1982. AA. VV – “JOANNI V MAGNIFICO - A Pintura em Portugal ao tempo de D. João V”, Lisboa, 1994. M. Calado – “Domenico Duprà” in Dictionário do Barroco em Portugal, Lisboa, 1989.



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