Leilão 104 Antiguidades e Obras de Arte, Pratas e Jóias

1

Cena de caça

Vincenzo Verdejo (1809-1859)


Estimativa

4.500 - 8.000


Sessão 1

14 Abril 2021


Descrição

Micromosaico sobre placa
Moldura em ouro sem marcas, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 120/2017, art. 2, nº 2, alínea c
Itália, séc. XIX

7,8x4 cm


Categoria

Objectos


Informação Adicional

Bibliografia:
Benjamin, John, Starting to Collect Antique Jewellery, Suffolk: The Antique Collector’s Club, 2003.
Bennett, David & Mascetti, Daniela, Understanding Jewellery, Suffolk: The Antique Collector’s Club, 2011.
Bury, Shirley, Jewellery: The International Era 1789-1910, Volume II 1862-1910, Suffolk: The Antique Collector’s Club, 1997.
Gere, Charlotte & Rudoe, Judy, Jewellery in the Age of Queen Victoria, London: The British Museum Press, 2010.
Grieco, Roberto, Micromosaici Romani, Rome: Gangemi Editore, 2001.
Mack, John, The Art of Small Things, Boston: Harvard University Press, 2007.
Soros, Susan Weber & Walker, Stefanie, Castellani and Italian Archaeological Jewelry, New Haven: Yale University Press, 2004.

As expressões “God is in the details” e “The Devil is in the details” manifestam a ideia de que tudo tem de ser feito de uma forma completa, e que algo que parece simples à primeira vista, esconde um longo tempo de dedicação e esforço.
A placa que agora se apresenta em leilão é um exemplo de uma arte extremamente laboriosa e meticulosa, onde o artesão através de uma pinça aplicou centenas, ou até milhares, de pequenas tesselas para criar a cena de um Leão a atacar um cão.
Foi Sir Arthur Gilbert (1913-2001) – notável colecionador britânico de artes decorativas – quem cunhou estas peças de micromosaicos, até então conhecidas apenas como “mosaicos romanos”, um termo enganoso, pois, embora fizesse referência à arte antiga, não existiam até ao final do século XVIII.
Estamos perante um tipo de mosaico criado a partir de pequenos fragmentos de vidro, ou tesselas. As tesselas são peças de mosaico cozido a alta temperatura, normalmente em vidro ou em esmalte, existentes numa infinidade de cores, às quais damos o nome de smalto. O smalto é retirado em hastes ou fios os filati (que significa esmalte fiado) e que, depois de arrefecidos, se cortam em centenas de cubos ou tesselas minúsculas que são organizadas, num suporte de metal (cobre, ouro ou prata), ou de pedra (durante o século XIX utilizou-se o mármore belga), preenchido com mástique ou cimento, com o intuito de criar a imagem desejada (um retrato, uma paisagem ou uma cena de caça). Após a mástique estar endurecida, os espaços entre as tesselas são preenchidos com cera colorida e toda a componente é polida para se obter uma superfície lisa e uniforme.


História
Acredita-se que a arte de trabalhar o mosaico seja oriunda do Extremo Oriente, sendo que os primeiros mosaicos – realizados com seixos e conchas – datam do século III a.C e foram encontrados na Macedônia. Mas, foi na Roma Antiga que atingiram grande popularidade, onde foram construídos com pequenos pedaços de mármore, terracota e vidro para decorar o chão das villae.
O apogeu desta arte foi alcançado durante o Império Bizantino (330-1453d.C), quando passaram a ser utilizados para adornar as primeiras igrejas cristãs. Uma escolha justificada pela sua durabilidade alicerçada à imagem de sumptuosidade e grandiosidade (especialmente através do uso abundante de tesselas de folha de ouro, como podemos ver no interior do Mausoléu de Gala Placídia em Ravena).
Durante o Renascimento (sécs. XIV a XVII) e o Barroco (sécs. XVII a XVIII), época em que predominou o uso de afrescos, a popularidade dos mosaicos decresceu, mas nunca deixou de ser produzido, e, a título de exemplo temos os mosaicos projetados por Michelangelo (1475-1564) para o teto da cúpula da Basília de São Pedro.
A oficina de mosaicos do Vaticano pode ter surgido com o Papa Gregório XIII (1572-1585), para trabalhar os mosaicos que estavam a ser instalados na Basílica de São Pedro, e no retábulo da Basílica do Vaticano, mas só no século XVIII é que foi oficialmente inaugurada, altura em que algumas das pinturas a óleo da basílica – que se estavam a deteriorar – foram convertidas em mosaicos. A sua inauguração, e o aumento das encomendas papais, contribuiu para o incremento do número de artesãos subordinados às técnicas desta arte. O tempo livre que dispunham entre as encomendas papais permitiu-lhes ensaiar o uso de minúsculas tesselas, dando origem às primeiras pequenas obras de arte portáteis que hoje conhecemos por micromosaicos.
Simultaneamente, começou-se a desenvolver o gosto pelo Grand Tour (uma viagem que podia durar meses ou prolongar-se por anos, e que era vista como uma obrigação na educação dos membros da classe alta e da nobreza). Quem participava desta viagem tinha como principal objetivo entranhar-se na cultura das cidades que visitava, expondo-se ao máximo da arte possível. Nesse seguimento, com o intuito de um dia mais tarde recordar a incrível arte que estavam a deslumbrar, surgiu a necessidade de adquirir souvenirs, e, por isso, a visita às oficinas e às lojas destes artesãos de micromosaicos tornou-se tão importante quanto visitar as famosas ruínas e os museus. Para além de fáceis de transportar (pois podiam ser transportados até ao fim da viagem pelo turista ou serem enviados para casa como se fossem um postal de viagem), exibiam temas como as antigas ruínas romanas, flores, pássaros, animais, imagens da bucólica vida camponesa italiana, e, mais tarde, temas inspirados pelas descobertas arqueológicas realizadas na Europa, no Norte da África e no Médio Oriente (em particular, os antigos mosaicos de Pompeia, motivos de tumbas etruscas, os primeiros símbolos cristãos e hieróglifos). Foi assim que estes objectos, muitas vezes empregues em peças de joalharia, se tornaram nas melhores recordações do Grand Tour.

Bibliografia:
Benjamin, John, Starting to Collect Antique Jewellery, Suffolk: The Antique Collector’s Club, 2003;
Bennett, David & Mascetti, Daniela, Understanding Jewellery, Suffolk: The Antique Collector’s Club, 2011;
Bury, Shirley, Jewellery: The International Era 1789-1910, Volume II 1862-1910, Suffolk: The Antique Collector’s Club, 1997;
Gere, Charlotte & Rudoe, Judy, Jewellery in the Age of Queen Victoria, London: The British Museum Press, 2010



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