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"Sente-me", 1979
Helena Almeida (1934-2018)
Estimativa
200.000 - 300.000
Sessão
24 Junho 2026
Descrição
Da série "Sente-me, Ouve-me, Vê-me"
10 fotografias analógicas a preto e branco, tinta e crina de cavalo
Peça única
Assinada e datada 80
(pequenos defeitos)
32x22 cm (cada)
Categoria
Arte Moderna e Contemporânea
Informação Adicional
Os elementos encontram-se numerados no verso da moldura de acordo com a sua posição no conjunto.
Proveniência:
Coleção particular.
Exposições:
“Helena Almeida – Dramatis Persona: Variações e fuga sobre um corpo”, Fundação de Serralves, 1996, cat. p. 53; Casa da América, 1997; “Helena Almeida” – CGAC, Xunta de Galicia, 2000, rep. cat.; “Helena Almeida: Pés no chão, cabeça no céu”; CCB, 2004, cat. p. 17 ; “Helena Almeida”, Ángela Molina, 2005, cat.; “Tela rosa para vestir”, Fundación Telefonica, 2008, cat.; “A minha obra é o meu corpo, o meu corpo é a minha obra”, Jeu de Paume, 2016, cat. pp. 120-121; “A minha obra é o meu corpo, o meu corpo é a minha obra”, Fundação Wiels, 2017; “Helena Almeida: Corpus”, IVAM, 2017 ; “Fotografia habitada, antologia de Helena Almeida, 1969-2018”, Instituto Moreira Salles, São Paulo, Brasil, 2023, cat. pp. 48-49.
"Sente-me" por Delfim Sardo
A proposta de Helena Almeida é a de substituir a lógica da imagem exemplar – a que materializa a lógica da obra prima – por uma utilização da imagem como parte de um sistema representacional do tempo e da sua métrica, o movimento. Esta aproximação performativa implica duas outras aproximações: por um lado, e muito diretamente, ao cinema e aos processos do script cinematográfico. Em segundo lugar, a uma tónica narrativa e quase literária, que culminaria com uma importante série que encerra a década de 1970, intitulada Sente-me, Ouve-me, Vê-me (de facto, uma série complexa na qual existem várias subséries com os títulos Sente-me e Ouve-me).
A habitação da tela implica a sua ocupação sensível por um corpo e é a partir desta relação entre o corpo e o espaço que o enredo (chamemos-lhe desta forma) da obra de Almeida é tecido entre o
meio da década de 1970 e a esta série que encerra a década.
Sente-me, Ouve-me, Vê-me é, também um processo de abertura de campo a outras práticas artísticas, nomeadamente a utilização de som e de vídeo. No caso específico do uso do som, trata-se de uma gravação do som de um lápis ao realizar um desenho, a sua fricção sobre o papel, utilizado muito ampliado até ganhar uma emotividade e monumentalidade inesperadas. O título de cada uma das subséries é contraditório com a situação apresentada, ou expõe a sua impossibilidade – Vê-me é o título da invisível obra sonora, Sente-me diz respeito a situações em que o toque é mediado, impossibilitado ou adiado e Ouve-me nomeia situações nas quais a comunicação está impossibilitada. Este tipo de nomeação pela impossibilidade, ou o contrário do que é enunciado, corresponde a um momento na obra de Helena Almeida na qual a tensão se sobrepõe a qualquer situação resolvida ou finalizada. É precisamente esse estado de transição, tenso e complexo, que iria marcar todo o futuro da obra posterior de Helena Almeida.
E é por isto que a série é tão relevante, constituindo um momento histórico e de charneira no seu percurso.
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