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Par de candelabros Império
Estimativa
8.000 - 12.000
Sessão 1
26 Outubro 2026
Descrição
Em bronze cinzelado e dourado
De três lumes, cada um com figura feminina alada representando a Vitória, de pé sobre plinto quadrangular e sustentando a estrutura dos braços de luz
Braços laterais em voluta, decorados com motivos vegetalistas e terminando em bocais em forma de cálice
Haste central elevada entre as asas da figura e rematada por vaso à l’antique, com asas em voluta e aplicado com cabeça de lobo, de cuja boca irrompem chamas, suportando o lume central
Bases decoradas com liras aplicadas, frisos de palmetas e outros motivos vegetalistas, assentes sobre pés esféricos
Possivelmente Rússia, São Petersburgo, primeiro quartel do século XIX
Segundo modelo atribuído a Claude Galle (1759-1815)
Alt.: 51 cm
Categoria
Objectos
Informação Adicional
A composição do presente par de candelabros insere-se no repertório desenvolvido em Paris no início do século XIX a partir dos desenhos de Charles Percier e Pierre-François-Léonard Fontaine, no qual figuras femininas aladas, personificando a Vitória ou a Renommée, assumem simultaneamente uma função escultórica e estrutural nos objectos de iluminação. Esta tipologia foi executada por alguns dos principais bronzistas do período, entre os quais Claude Galle (1759-1815) e Pierre-Philippe Thomire (1751-1843), e foi particularmente apreciada na Rússia imperial.
A relação do presente modelo com a produção de Claude Galle é particularmente evidente na composição centrada sobre uma figura feminina alada e na utilização de um vaso ou ânfora colocado sobre a cabeça da figura, prolongando verticalmente o eixo do candelabro. Esta solução encontra paralelos em diversos candelabros atribuídos a Galle, nos quais figuras femininas funcionam como suporte de vasos à antique e dos respectivos braços de luz. A associação é reforçada pelo conhecimento de um outro par do mesmo modelo, igualmente em bronze cinzelado e dourado, com figuras de Renommée, cabeças de lobo expelindo chamas e bases decoradas com liras, apresentado em Lille em 2022 como "Modèle de Claude Galle".
Outros elementos da composição aproximam-se, contudo, do repertório desenvolvido por Pierre-Philippe Thomire, nomeadamente a utilização de cabeças de lobo como ponto de origem de elementos associados aos lumes. Esta combinação, numa mesma peça, de soluções relacionadas com diferentes oficinas parisienses constitui um elemento relevante para a hipótese de uma execução russa. As oficinas de São Petersburgo das primeiras décadas do século XIX não se limitaram à reprodução directa de modelos franceses, assimilando e recombinando um vocabulário ornamental proveniente dos principais bronzistas parisienses. A coexistência, no presente par, de características associadas a Galle e Thomire poderá assim corresponder a esse processo de adaptação dos modelos franceses ao gosto e à produção russa.
A circulação destes modelos entre Paris e São Petersburgo encontra-se amplamente documentada. São conhecidos candelabros russos executados segundo modelos de Claude Galle, incluindo um par datado de cerca de 1820-1830 que apresenta máscaras de cães e uma combinação de elementos decorativos franceses e russos, relacionado com um modelo realizado nas oficinas de Galle para o mercado russo cerca de 1805. A própria produção de bronzistas activos em São Petersburgo, como Friedrich Bergenfeldt e Andrei Schreiber, revela a utilização e adaptação directa de modelos franceses deste período.
Também a escala do presente par, com cerca de 50 cm de altura, a configuração sobre bases quadrangulares e a utilização de figuras femininas aladas encontram paralelos na produção russa de aparelhos de iluminação do primeiro quartel do século XIX. A conjugação destas características tipológicas com um desenho de matriz francesa, no qual se reconhecem elementos associados a Claude Galle e Pierre-Philippe Thomire, permite propor, com a necessária prudência, uma possível execução em São Petersburgo, segundo modelos franceses e, em particular, segundo uma composição associada a Claude Galle.
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