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"Nuage"

Guy de Rougemont (1935-2021)


Estimativa

100.000 - 150.000


Sessão

8 Outubro 2026



Descrição

Latão, plexiglass e sistema de iluminação interior

Assinada, datada 1972-2006 e numerada 2/8

Marcada "Pierre Passebon éditeur"

(restauros)

46x149x83 cm


Categoria

Arte Moderna e Contemporânea Mobiliário


Nota sobre o lote

Guy de Rougemont, Nuage

Poucas peças de mobiliário captam com tanta intensidade a ousadia da Paris dos anos 70 como a Nuage de Guy de Rougemont. Em parte mesa, em parte escultura, em parte fonte de luz, paira algures entre categorias, e era precisamente aí que o seu criador a queria.

Rougemont formou-se como pintor e ganhou nome como escultor de formas geométricas ousadas e coloridas. O mobiliário não estava nos seus planos até 1969, quando Henri Samuel, um dos decoradores mais influentes da sua geração, descobriu as esculturas da série Volumes expostas na galeria Suzy Langlois, em Paris. Samuel viu nelas a possibilidade de algo novo e desafiou o artista a experimentar o mobiliário. Rougemont aceitou, com uma condição imposta por si próprio: as peças ganhariam uma função sem abdicar da sua identidade de escultura.

A resposta chegou no início dos anos 70. Com o título oficial de Ellipse, a mesa depressa passou a ser conhecida pelo nome que melhor lhe assenta: Nuage. O seu contorno incha e suaviza-se como uma nuvem a deslizar sobre o chão, com o metal polido a captar os reflexos da sala enquanto o corpo em Plexiglas parece brilhar a partir de dentro.

Samuel deu à mesa um lugar de honra no grande salão do seu próprio apartamento, na rue du Faubourg Saint-Honoré. Era uma sala de paredes forradas a seda vermelha e boiseries do século XIX, que Samuel encheu de obras dos artistas mais arrojados da época, entre eles Diego Giacometti, César, Philippe Hiquily e François Arnal. O confronto entre o antigo e o novo fez deste salão um dos interiores mais comentados do seu tempo, e a Nuage tornou-se um dos seus emblemas, uma imagem definidora do que o mobiliário de artista podia ser.

Meio século depois, a Nuage continua a ser a peça mais emblemática de Rougemont e uma referência do design francês desse período. Em 2006, em colaboração com o galerista e editor parisiense Pierre Passebon, Rougemont revisitou o seu desenho original de 1972 numa edição limitada de oito exemplares. A mesa agora apresentada é o número 2 dessa edição, assinada, datada 1972–2006 e marcada "Pierre Passebon éditeur". Na sua versão iluminada, mostra a Nuage no seu registo mais teatral: acesa, o corpo azul parece flutuar sob a coroa de metal, transformando um objecto funcional numa presença luminosa no espaço.



Leilão Terminado