Leilão 109 Colecção Conde da Póvoa - Quinta da Serra

62

Cómoda Régence

Pierre Migeon IV (1696-1758)


Estimativa

6.000 - 8.000


Sessão 1

28 Setembro 2021


Descrição

Faixeada a pau-santo, com dois gavetões e três gavetas
Ferragens, puxadores e espelhos de gaveta em bronze relevado e dourado
Tampo em pedra mármore
Estampilhada no topo "MIGEON"
França, séc. XVIII
(pequenas faltas e defeitos, tampo com restauro)

86x136x65 cm


Categoria

Mobiliário


Pierre Migeon IV

Pierre Migeon IV, nasceu em Paris a 13 de Agosto do ano de 1696, no seio de uma dinastia de ebanistas franceses. Era filho de Pierre Migeon III (1665-1717), neto de Pierre Migeon II (1637-1677) e bisneto de Pierre Migeon I. Foi na oficina da família que aprendeu a arte de trabalhar as madeiras e só foi reconhecido como maître-ébéniste alguns anos antes de 1729. Em 1739 tornou-se chefe da mesma oficina. Desde o início da sua carreira, começou a atuar como negociante e também como fabricante de móveis, subcontratando o trabalho de marceneiros contemporâneos. O facto de ter trabalhado como ebéniste e como comerciante, explica o grande número de peças que levam a sua estampilha juntamente com a de outros ebanistas. Como é o caso do bureau “de Vergennes” da colecção do Museu do Louvre, uma peça que apresenta a estampilha de Migeon e a de Jacques Dubois. Entre os melhores marceneiros que lhe forneceram peças podemos indicar os seguintes: Léonard Boudin, Jacques Bircklé, Roger Vandercruse, Charles Topino, Gérard Péridiez, Mathieu Criaerd e outros. Apesar do grande número de fornecedores, as peças com a sua estampilha partilham uma uniformidade estilística impressionante. Estruturalmente os seus móveis privilegiam as formas serpentinas, e por vezes bastante robustas, mas não chegam a evidenciar um rococó acentuado. Os folheados são contidos, infinitamente emaranhados e apresentam, quase sempre, padrões geométricos e cartuchos decorativos com motivos florais em madeiras de tons escuros, como o pau-santo e o mogno (dos quais foi dos primeiros ebanistas a utilizar). Embora a marchetaria seja menos frequente, esta, quando é usada, é de excelente qualidade e desponta na representação de pontas de diamantes, cubos, flores ou de pássaros (visíveis em várias peças como mesas de leitura, cantoneiras e secretárias). Menos comum é o uso da laca e do vernis martin. No que diz respeito aos bronzes, estes estão quase ausentes. É através do livro de registos da oficina de família, localizada na Rue de Chareton no Faubourg Saint-Antoine em Paris, que conseguimos compreender que nos anos 30 do século XVIII esta era particularmente próspera, uma vez que o valor das vendas anuais atingia entre os 23 mil e os 37 mil francos. Ficamos também a conhecer o tipo de clientela que servia, sendo possível encontrar membros da nobreza francesa, dos quais se pode destacar a filha ilegítima do Rei Luís XIV, Dona Francisca Maria, Duquesa de Bourbon (1677-1749), o Duque de Orleães (1703-1752) e a duquesa de Rohan-Rohan (1713-1756). Só a partir de 1740 é que começou a fornecer o Garde Meuble de la Couronne, e outras figuras da aristocracia francesa como o Duque de Boufflers, o Duque de Noailles, bem como Luísa Adelaide de Orleães (1698-1743) e a Madame de Pompadour (1721-1764) da qual beneficiou de uma pensão de 3 mil francos. A par desta clientela também forneceu figuras políticas e financeiras da alta sociedade francesa, membros do Alto-Clero, Embaixadores e príncipes estrangeiros. Quando faleceu em 1758 foi sucedido pelo seu filho Pierre Migeon V (1733-1775). De 1775 a 1785 foi a viúva deste que administrou o negócio até ser obrigada a declarar falência e a fechar portas. A qualidade da sua obra coloca-o ao nível dos melhores ebanistas do seu tempo, como André-Charles Boulle, Charles Cressent, Antoine Gaudreaux e Jean-François Oeben.

TIAGO FRANCO RODRIGUES

Bibliografia: F. de Alvetre– Les ébenistes du XVIII siècle : Leurs oeuvres et leurs marques. New ed. Paris and Brussels, 1927. J. N. Ronfort, J. D. Augarde, B. Langer, - ‘Nouveaux aspects de la Vie et de l’œuvre de Bernard (II) Vanrisamburgh (1700-1766)’, in l’Estampille - L’Objet d’Art, n. 290, avril 1995, p. 36. P. Verlet – Les ébénistes du XVIII siècle français. Paris : Hachette, 1963. P. Verlet – Meubles de la Couronne conservés en Europe et aux ÉtatsUnis. Paris: Editions Picard, 1990. P. Verlet– Les meubles français du XVIII siècle, 2º edição. Paris : Presses Universitaire de France, 1982. S. Mouquin - ‘Pierre IV Migeon, Meubles en laque et en vernis’, in L’Estampille - L’Objet d’Art, décembre 1999, n. 342, p. 68. T. Wolvesperges – ‘Le Meuble français en laque au XVIIIe siècle’, Paris, 2000, pp. 65 e 29.



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