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Cavalo a galope
Xu Beihong Attrib. (1895-1953)
Estimativa
20.000 - 30.000
Sessão
8 Maio 2026
Valor de Martelo
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China, datada do ano cíclico Wuzi, correspondente a 1948
Pintura a tinta sobre papel, montada em formato de rolo vertical (li zhou)
Representando um cavalo a galope, captado em movimento dinâmico, com a crina e a cauda agitadas pelo vento, executado com pinceladas vigorosas e contrastes marcados de tinta, em registo característico da obra do mestre
Inscrição do artista na margem inferior esquerda, em duas colunas, com poema "問汝健足果何用 為覓生芻盡日馳" (Pergunto-te para que servem as tuas pernas fortes, se para procurar forragem fresca cavalgas o dia inteiro), seguido da assinatura "戊子始寒 悲鴻" (Wuzi, início do inverno, Beihong)
Acompanhado de dois selos vermelhos do artista junto à assinatura e dois outros selos no canto inferior direito
Montagem tradicional chinesa em seda, com enquadramento (jidao) em fina banda de brocado verde, secção intermédia em seda de tom cinzento-esverdeado com padrão vegetalista e painel superior (tiantou) em seda bege claro com decoração idêntica
Apresentado actualmente planificado sob moldura, com vidro de protecção
(marcas de oxidação (foxing) e manchas de humidade evidentes na mancha pictórica e na montagem)
175x49,5 cm (rolo)
88,5x48 cm
Informação Adicional
Xu Beihong (1895-1953) é uma das figuras incontornáveis da pintura chinesa do século XX, tendo desempenhado papel decisivo na renovação da pintura tradicional pela integração de princípios académicos ocidentais aprendidos em Paris. Os seus cavalos, executados a tinta sobre papel com economia de pincelada e energia expressiva, tornaram-se a sua imagem mais reconhecível e símbolo do espírito nacional chinês no período conturbado da década de 1940. O ano de Wuzi (1948) corresponde a um período particularmente fértil da sua produção, então director da Academia de Belas Artes de Beijing.
Proveniência:
Adquirido por Manuel Vicente (1934-2013) em Macau; oferecido por este a Maria Palmira Vicente Fino como prenda de casamento; por descendência directa, colecção da família Fino.
Manuel Vicente (1934-2013) foi uma das figuras centrais da arquitectura moderna ligada a Macau. Formado em Lisboa, fixou-se em Macau a partir de 1962, território onde desenvolveu parte essencial da sua obra. A sua arquitectura acompanhou a transformação urbana da cidade na segunda metade do século XX, mediando a herança portuguesa, a cultura chinesa e a rápida expansão urbana das décadas finais. Da sua autoria são, entre outros, o conjunto habitacional do Fai Chi Kei, as Torres da Barra, o edifício da TDM, o World Trade Center e o plano de fecho da Baía da Praia Grande. Pela profundidade da sua ligação ao território e pela influência que exerceu na imagem moderna da cidade, é frequentemente recordado como o "arquitecto de Macau". A presença desta pintura na sua colecção, num período em que a obra de Xu Beihong já era referência maior da arte chinesa moderna, reflecte o gosto e a sensibilidade cultural de uma figura profundamente enraizada na vida cultural macaense.
Leilão Terminado