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"Ao menos deixem-me defender o meu filho"
Malangatana (1936-2011)
Estimativa
15.000 - 20.000
Sessão
18 Novembro 2025
Valor de Martelo
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Óleo sobre tela
Assinado e datado 73
(craquelé e pequenas falhas)
81,5x55,2cm
Categoria
Arte Moderna e Contemporânea
Informação Adicional
A obra proveniente da interessante Coleção Alberto Covas, amigo próximo do artista, insere-se na fase final da Guerra Colonial em Moçambique (1964–1974) tendo sido executada durante uma deslocação do artista à Suíça em 1973. No catálogo realizado por ocasião da retrospectiva organizada em 1989 na Sociedade Nacional de Belas Artes pode ler-se: "os óleos e desenhos da fase suíça, realizados após a sua estadia em Berna, diferem significativamente do restante da sua obra, oferecendo-nos outro tipo de visão”. Esta visão diferente é apontada como fruto de um primeiro contacto do artista com uma “sociedade não moçambicana, não africana” que marcará “profundamente a sua obra, que parece ganhar ainda maior força na ligação ao povo” (Catálogo da Retrospectiva, 1989, p. 177).
Estas tendências já se notavam no decorrer da passagem do artista por Lisboa, ao abrigo de uma bolsa da Fundação Gulbenkian (1971-72) e aprofundam-se de facto quando regressa à Europa por alguns meses, entre 1973 e 1974, percorrendo vários países e visitando ateliers, museus e galerias. A obra, pela composição com a figura vermelha monumental e envolvente sobre um corpo menor em posição de queda/ajoelhamento, o fundo escuro, as diagonais vincadas e as mãos alongadas em gesto ambíguo de contenção/ameaça, e, em particular, pelo título “Ao menos deixem-me defender o meu filho”, poderá ser lida como remetendo para o clima de tensão política e social então vivido.
Leilão Terminado