Leilão 155 Antiguidades e Obras de Arte, Pratas e Jóias

308

Par de retratos de João Lopes Ferraz de Beça (1759-1831) e D. Maria Clara Joaquina (1731-?)

João Glama Ströberle Attrib. (n. 1708–1792)


Estimativa

20.000 - 40.000


Sessão 2

16 Dezembro 2025



Descrição

Óleos sobre tela
Inscrições no verso: "João Lopes Ferras de Beça Copiado no anno de 1788 de id.e de 29 annos" e "D. Mª Clara Joaquina. Copiada no anno de 1788 de id.e de 56 annos."

102x82 cm


Categoria

Pintura


Informação Adicional

Este lote inclui os retratos de João Lopes Ferraz de Beça e de sua avó paterna, D. Maria Clara Joaquina (1731–?), figuras de destaque da sociedade portuense de finais do século XVIII.
João Lopes Ferraz de Beça, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo e Síndico Apostólico do Real Convento de Santo António da Cidade do Porto, pertencia a uma influente família de negociantes e almotacés, ligada à firma “Ferraz, Filho e Correia”, que dominava o comércio de louças, tecidos, vinhos e outros géneros exportados pelo Douro.
Os retratos datam de 1788, período em que a família Ferraz de Beça se encontrava no auge da sua projeção económica e social. Por esta altura, o patriarca João Lopes Ferraz e sua mulher D. Maria Brázida de Beça Ferraz eram já proprietários da Quinta da China, uma das mais notáveis propriedades da margem direita do Douro. A quinta fora herdada por D. Maria Brázida dos seus pais, Francisco de Beça Teixeira e Mariana Jacinta, e destacava-se pela sua localização privilegiada, jardins murados e arquitetura solarenga.
Associada ao comércio de porcelanas e tecidos vindos do Oriente — origem provável do seu nome —, a Quinta da China viria a desempenhar um papel relevante em episódios marcantes da história do Porto, nomeadamente durante as invasões francesas e o cerco liberal de 1832.
Os retratos de João Lopes Ferraz de Beça e D. Maria Clara Joaquina são atribuídos a João Glama Ströberle (1708–1792), pintor nascido em Lisboa mas ativo durante grande parte da sua carreira no Porto. A atribuição baseia-se na comparação estilística com outros retratos recentemente surgidos no mercado, nos quais se identificou um monograma que se presume ser a assinatura do referido artista. Estas obras constituem um raro testemunho da afirmação social e económica de uma burguesia mercantil em ascensão, refletindo o gosto, o estatuto e a autoperceção de uma elite que aliava o poder económico à distinção moral e religiosa.

Proveniência:
Quinta da China, Porto.



Leilão Terminado